Análise

1822, como o prórprio autor, Laurentino Gomes, cita em sua introdução, foi escrito “quase que por obrigação…”. Depois do sucesso estrondoso de seu primeiro livro, 1808, que contava a História da fuga da Família Real e da Corte Portuguesa para o Brasil, Gomes publicou uma espécie de continuação, seguindo a trajetória da Família Imperial Brasileira, os Bragança. No ano de 1822, como todos sabem, foi proclamada a independência do Brasil, quando o então príncipe-regente D. Pedro I, às margens plácidas do Ipiranga, deu o grito que separou Brasil e Portugal definitivamente. Mas, como gostamos de dizer no Histórica, a História não foi bem assim.

Grito do Ipiranga: Pedro Américo reescrevendo a História do Brasil

O que você diria se soubesse que D. Pedro I não deu um grito de independência às margens do Ipiranga, militarmente paramentado e montado em um poderoso alazão, mas que essa cena, retratada na obra “Grito do Ipiranga” de Pedro Américo, é apenas uma construção histórica da cena onde D. Pedro estava vestido com seus farrapos de viagem, montado em uma mula e deu mais um chilique de menino mimado do que um grito?

Essas e outras cenas são narradas por Gomes com muita habilidade e fidelidade histórica. Deixando de lado os historiadores invejosos, que criticam a obra de Gomes apenas por não ser um “texto acadêmico”, 1822 é um livro para ser lido com olhos críticos e mente aberta para as novidades que não lhe foram ensinadas na escola.

Cada capítulo apresenta um aspecto do evento e do período de modo detalhado, desde o golpe que derrubou D. João VI e deu poder às cortes, passando pela improbabilidade do Brasil funcionar e se manter unido como país, apresentando detalhes desagradáveis e curiosos sobre personagens como a Marquesa de Santos (“uma das” amantes do nosso Imperador), descrevendo batalhas e momentos-chave da Guerra da Independência, até o golpe que derrubou as Cortes Constituintes e levou D. Pedro I, praticamente expulso do Brasil, a se tornar Herói e Rei de Portugal.

Além de D. Pedro I, o livro ainda trata, com muita propriedade, de personagens importantes no processo de independência do Brasil, como o Ministro José Bonifácio, a Imperatriz Leopoldina e o amado/odiado libertador/saqueador Lord Cochrane. Muito me agradou o recorte histórico utilizado, narrando eventos desde a partida da Família Real Portuguesa, passando pela Revolta Liberal do Porto, Guerra da Independência (Sim, houve uma guerra!), Ascenção, queda, abdicação e partida de D. Pedro I, bem como seus feitos em Portugal.

Tratando especificamente deste exemplar que tenho em mãos, a Edição Ilustrada Comemorativa, não há o que dizer além de: Perfeito! Um livro com capa dura, impresso em papel especial, tamanho grande, generosamente recheado de imagens dos personagens, locais e eventos narrados, todas em alta definição. A Edição Ilustrada do 1822 é quase 1kg de História para ser lido, arquivado e apresentado aos seus filhos, netos, bisnetos…

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Sobre o autor deste post

Gabriel Perboni
Gabriel Perboni é autodidata por natureza e músico por teimosia. Apaixonado pela História, pratica a pesquisa e a produção de conhecimento por hábito. É o fundador e editor-chefe do Histórica.