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15 de junho de 2011

Bandeirantes: Sua História e Sua Questão

Bandeirantes: Sua História e Sua QuestãoPara boa parte das pessoas, as bandeiras ou os bandeirantes, provavelmente ainda evocam a imagem dos heróis paulistas do século XVIII, dos “construtores épicos do Brasil” que expandiram as fronteiras e em cujo rastro se fez a ocupação do interior e dos ditos Sertões, mas há uma imagem oculta dos bandeirantes, à margem dessa visão heroica, que oculta a trilha de violência que se fazia à sua passagem, sobre tudo nas práticas ligadas à caça e à escravização dos índios. Porém as atitudes dos bandeirantes devem estar ligadas ao contexto da América Portuguesa, culpar os bandeirantes por si próprios seria muito ingênuo, eles foram motivados pelas necessidades econômicas da colônia, principalmente na questão da mão de obra.

Para entender os bandeirantes, é preciso entender a região e o período histórico onde viveram, no inicio da colonização da América Portuguesa, a região litorânea da Capitania de São Vicente era pouco propicia ao sistema econômico que se montou entre os séculos XVI e XVII, principalmente devido ao seu solo pobre e a longa distância da Europa comparada a atual região do Nordeste. Um exemplo disso é que o preço do sal era alto devido a falta de mercadorias para a troca e a população na região do inicio das bandeiras, São Vicente e São Paulo de Piratininga, era composta de homens do campo, mercadores pobres e aventureiros, e nesse período havia uma necessidade por mão de obra escrava para os engenhos, portanto o bandeirante foi fruto social de uma região marginalizada, de escassos recursos materiais e de vida econômica restrita e suas ações se orientaram ou no sentido de tirar o máximo proveito das brechas que a economia colonial eventual mente oferecia para a obtenção de lucros rápidos, como na caça ao índio.

Como eram as bandeiras e as expedições de caça aos índios?

As bandeiras eram comandadas por um chefe, branco ou mameluco, que tinha sob suas mãos poderes absolutos sobre os seus subordinados. Na composição das bandeiras, haviam escravos indígenas que eram utilizados como batedores de caminho, coletores de comida, guias e carregadores, e a figura obrigatória do Capelão, que segundo relatos era indispensável para o inicio da bandeira. O número de componentes das bandeiras variava entre 20 e centenas de participantes.

Em geral, uma bandeira levava para as expedições, pólvora, machados, balas, cordas para aprisionar os índios capturados e pequena quantidade de alimento e sal. Diferentemente das representações mais populares, eles andavam descalços e não com botas. Seu vestuário se restringia ao chapéu de abas largas, camisa e ceroulas.

Utilizavam, como rota, as trilhas dos índios e os rios, nesse caso usando canoas improvisadas, e quando não existiam as trilhas indígenas, seguiam os córregos e tentavam evitar as matas, cuja travessia poderia levar de meses até alguns anos. As incursões sertão adentro pode ser dividida em duas partes: A primeira, no século XVI, ficou restrita a região do Rio Tietê, onde os bandeirantes rapidamente dizimaram os índios tupiniquins. A segunda, já no século XVII foi marcada pela expansão da ação geográfica, caracterizada pelo aprisionamento em larga escala dos índios e chegada às regiões de colonização espanhola, tentando chegar ao mar e às famosas reduções jesuíticas através do rio Paraguai.

E foi nos ataques às reduções jesuíticas que surgem os relatos que tratam sobre a violência dos Bandeirantes, cujas ações violentas ocorreram entre 1619 e 1623, se tornando uma prática sistemática por volta de 1628. O Historiador Carlos Henrique Davidoff, no livro Bandeirantismo: Verso e Reverso, trás um relato do Padre Montoya sobre um ataque do bandeirante Raposo Tavares em três de Dezembro de 1637

“[...] estando celebrando a festa com missa e sermão, cento e quarenta paulistas com cento e cinquenta tupis, todos muito bem armados de escopetas, [...] entraram pelo povoado e, sem aguardar razões, acometendo a igreja, disparando seus mosquetes, pelejaram seis horas, desde as oito da manha até as duas da tarde [...] Visto pelo inimigo [Líder da Bandeira] o valor dos cercados, determinou a queimar a igreja, onde se acolhera a gente [...]”

Nesse relato é visível que os bandeirantes, para aprisionar os índios, não mediam o uso da violência contra as reduções, porém é bom ver com reticência esses relatos, pois havia uma tendência a transformar os bandeirantes em “monstros” em meio às lutas contra os Jesuítas, mas é notório que não foi pouca a violência utilizada pelas bandeiras contra as reduções.

As lucrativas expedições de caça aos índios prosperaram até 1648, quando começa a rearticulação, por parte de Portugal, do tráfico de escravos africanos para o Brasil, diminuindo deste modo, a procura por escravos ameríndios. As bandeiras agora procuravam outras formas de obter fortuna, principalmente na procura por ouro.

Foram os bandeirantes heróis ou bandidos?

Durante o século XX até os nossos dias, várias visões se formaram sobre a figura do bandeirante, uma delas é que o bandeirante era algo indispensável para a construção e união daquilo que posteriormente seria chamado de Brasil, tendo sua figura retomada em certo momentos que se iniciava o processo de integração do Oeste Brasileiro, como na “Marcha para o Oeste” do período Vargas e na construção da Rodovia Transamazônica.

Outra visão é uma crítica, especialmente alicerçada nos relatos jesuíticos, mostrando a violência da ação bandeirante, principalmente contra as reduções jesuíticas. Um exemplo disso é o seguinte trecho do livro Capítulos de História Colonial, de Capistrano de Abreu: “Compensará tais horrores, a consideração de que, por favor dos bandeirantes, pertencem agora ao Brasil as terras devastas?”. Ou seja, deixando claro que a ação bandeirante foi predatória, despovoadora e destruidora.

Pessoalmente, prefiro ver os bandeirantes como fruto de seu período histórico, vivendo numa região marginal da América Portuguesa, que para sobreviver se lançou sertão adentro para atender a demanda por mão de obra, sem esse maniqueísmo que há sobre o debate da figura do bandeirante, ele foi violento em sua ação e não há argumentos que justifique isso, mas ele foi motivado pelo contexto de seu período, atendendo uma demanda existente na América Portuguesa.

Colaborador

O autor do artigo, Brayan, escreve para o Blog do Brayan Avila

Blog do Brayan Avila

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Sobre o autor deste post

Brayan
Brayan é graduando de História pela UEL/PR (Universidade Estadual de Londrina) e escreve para o site http://www.brayanavila.com.br




 
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  1. Rafael MR

    Ao invés de dar educaçao para os indios e colonos esses jejzuitas safados só queriam aprisinar suas mentes com dogmas religiosos.
    Saudade dos bandeirantes…


  2. Nerudaz

    Esse site é um achado! Textos extremamente interessantes e relevantes como esse deveriam estar em toda a internet. Parabéns a toda a equipe



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