“A constituição hoje promulgada criou uma nova estrutura legal, sem alterar o que considera substancial nos sistemas de opinião; manteve a forma democrática, o processo representativo e a autonomia dos Estados, dentro das linhas tradicionais da federação orgânica”, disse Getúlio Vargas.
Por meio de um pronunciamento veiculado pelo rádio, Getúlio Vargas anunciou uma nova fase política na qual o Brasil estava entrando. O Estado Novo, instaurado a partir da promulgação da nova Constituição Federal, consolidava-se como uma forma de governo mais dura e autoritária, cuja prioridade era garantir a segurança nacional diante da silenciosa ameaça comunista, que “aterrorizava” a classe média brasileira desde que fora descoberto o suposto Plano Cohen, no final de setembro do mesmo ano.
A Constituição de 1937, elaborada sob a luz do fascismo europeu e inspirada na Carta polonesa (também de ordem ditatorial), dava bases legais ao governo autoritário que então iniciava o primeiro dos seus oito anos de vigência. O golpe dentro do golpe também suspendia as eleições presidenciais marcadas para o ano seguinte, dissolvia o Congresso Nacional, criava a censura estatal aos meios de comunicação e dava inúmeros poderes ao Exército – o que contribuiu para a formação de uma elite militar que, em 1964, derrubaria João Goulart da Presidência e tomaria o controle do país.
Neste período em que Vargas tramava o golpe com sua cúpula de governo – auxiliados pelas forças militares -, a agitação política e social no Brasil era grande. Num período eleitoral, no qual se começava a fazer campanha para as eleições democráticas – suspensas havia sete anos, desde que Vargas tomara o poder -, a população estava insegura com os inimigos comunistas e Getúlio Vargas ascendia como um homem poderoso, o único capaz de conter o mal que pairava invisível nos meandros da República.
“O homem de Estado, quando as circunstâncias impõem uma decisão excepcional, de amplas repercussões e profundos efeitos na vida do país, acima das deliberações ordinárias da atividade governamental, não pode fugir ao dever de tomá-la, assumindo, perante a sua consciência e a consciência de seus concidadãos, as responsabilidades inerentes à alta função que lhe foi delegada pela confiança nacional”, declarou Vargas à Nação.
Opinião Histórica
Na foto em destaque (no topo do post), Edda Mussolini, filha de Benito Mussolini, é recebida por Ademar de Barros durante a sua visita à São Paulo, em 1939. No início o Estado Novo nutria uma simpatia com o nazi-fascismo.
Vídeo com uma “espécie de documentário” sobre o Estado Novo.
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.









Ahh.. a Constituição Polaca
Há outra versão para ela ter recebido este nome.
E não dá pra negar que, para o bem e para o mal, Getúlio ajudou a mudar o rumo que o Brasil estava tomando à época e seu governo ainda é referência. Com tudo o que de bom e de ruim que isso possa significar.
[...] http://historica.com.br/hoje-na-historia/10-de-novembro-de-1937-vargas-instaura-o-estado-novo [...]
Me lembrei de Hitler, que mudou a constituicao (Ato de Habilitação ao Poder) para chegar ao poder… no caso do Brasil, formou-se uma elite militar que tomou conta por anos!
No fim das contas eh a mesma historia, nada para o povo — TUDO em nome de interesses pessoais (riquesa e poder, nao necessariamente nessa ordem).
Aí eu tenho que discordar de você.
Os líderes facistas acreditavam que o que defendiam e faziam era o melhor para seu povo. As outras idéias, políticas e formas de governo é que estavam erradas e a pior delas era o comunismo. Era uma crença. Aliás, a maioria dos grandes estadistas acreditam que suas idéias é que são as certas. É por isso que insistem tanto para chegar ao poder e tem dificuldade em renuncia a ele, porque não acreditam que outros vão conseguir fazer o que eles fazem (ou acham que fazem)
A questão do oportunismo e defesa apenas de interesses pessoais existiu, como sempre, mas não era o que guiava estes governos.
Agora, se o que fizerem, e fazem, é a coisa certa é outra questão…
Mais uma vez, muito obrigado Gabriel e Equipe do Histórica.. estão sempre me socorrendo na Faculdade..hahaha Tenho Seminário sobre o Estado Novo na semana que vêm e eis que vejo isso no meu Feed..rsrsrs Obrigado Histórica por fazer de minha vida uma outra história.
Abs
Uma constituição baseada na política fascista, mas que é anti-fascista? o.o eita Brasil
legal o arquinho de flores? da Mussolini