
Um grupo de txucarramães – índios guerreiros por tradição – chefiados pelo cacique Raoni, que amedronta a todos com seu bodoque no lábio inferior – matou onze peões que estavam desmatando uma área de cerca de 15 quilômetros, próxima à aldeia Kretire, na parte norte do Parque Nacional do Xingu.
Este foi o terceiro ataque dos txucarramães a peões que trabalhavam para a Fazenda Agropexim, na margem esquerda da Rodovia BR-080. Esta rodovia, inaugurada em 1971 e que deveria ligar Brasília a Manaus, foi desativada no início do ano anterior pelo Ministro do Interior, depois de constatada a sua inutilidade e depois de uma série de atritos entre os índios e trabalhadores. Posteriormente, as obras da rodovia foram retomadas e hoje ela tem a função de ligar Brasília à cidade de Uraçu (Minas Gerais).
Os txucarramães, povo indígena pertencente ao subgrupo dos caiapós, habitavam a margem direita do rio Xingu e, na época, reivindicavam também a margem esquerda, indo da cachoeira Von Martius até a localidade de Capoto, onde se encontravam materiais para artesanato. Os constantes ataques dos índios a trabalhadores locais se deveram principalmente a não delimitação completa do território da tribo pela FUNAI.
A FUNAI mandou, no dia seguinte ao assassinato, uma antropóloga, assessores da presidência e agentes da Polícia Federal para a localidade de São José do Xingu, onde moravam os peões mortos. Dezessete operários foram contratados para fazer o desmatamento da área à margem do rio, treze aceitaram encontrar-se com os índios para conversar. Destes treze, apenas dois sobreviveram ao ataque.
O maior guerreiro txucarramãe
O imponente cacique Raoni Metuktire nasceu em Matogrosso, filho do Cacique Umoro, da tribo dos Metuktires, ou Txucamarrães, subgrupo dos Caiapós. Um dos índios mais famosos do Brasil, Raoni não sabe ao certo sua idade: estima-se que, hoje, o pele-vermelha tenha pouco mais de 70 anos. A primeira vez que veio a público foi em 1984, quando quis negociar as delimitações do território de seu povo com o então Ministro do Interior .
A fama de Raoni aumentou em 1989, quando acompanhou pela Europa o cantor Sting (vocalista do The Police) para protestar contra a invasão de terras indígenas no Brasil. Em 2000, conhecido e respeitado, o cacique da tribo indígena guerreira, cuja marca registrada é o bodoque usado no lábio inferior, partiu em busca de apoio financeiro para construir um núcleo de tecnologia no Parque do Xingu. Hoje, Raoni lidera a comunidade indígena na luta contra a construção da Usina de Belo Monte, no Pará.
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Ana Paula Amorim no Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível.





