Após dois anos, 10 meses e sete dias de governo democrático, o presidente Salvador Allende suicidou-se com um tiro na boca, no momento em que o Palácio La Moneda estava sob intenso bombardeio das Forças Armadas, cujos líderes revoltosos exigiam a renúncia do Chefe de Estado chileno. Allende resistiu durante mais de quatro horas ao ataque violento das forças revoltosas contra a sede centenária do governo que, à hora de sua morte, encontrava-se parcialmente destruída.
De formação socialista, representante da coligação esquerdista Unidade Popular, Salvador Allende foi deposto por um movimento comandado pelos principais chefes militares do país, dentre os quais estava o General Augusto Pinochet, que logo assumiria o cargo executivo mais importante do Chile, colocando fim a 41 anos de normalidade constitucional e iniciando uma era ditatorial de violência e repressão, a qual só terminaria 17 anos depois.
A Junta Militar justificou o levante como uma necessidade de por fim à “gravíssima crise econômica e social do Chile” e à incapacidade do governo para conter o caos, o crescimento de grupos armados e organizados por Partidos da coalizão governamental.
Desde a campanha eleitoral, Allende proclamava como meta de governo a instituição constitucional do socialismo no Chile, com a transferência do poder aos trabalhadores e homens do campo, reforma agrária e nacionalização dos recursos básicos da economia. Seu objetivo esbarrou, entretanto, na ação do Congresso, onde a oposição tinha maioria, e na deterioração da economia. Sobre um plano de fundo de racionamento de comida, panelas vazias, taxas recordes de inflação, greves e violência, Allende não conseguiu evitar a revolta, sua deposição e morte.
O JB na história
Proibido pela censura de anunciar na primeira página o suicídio de Allende utilizando manchete ou fotografias, o JB usou a criatividade para driblar a lupa autoritária estatal. Nas bancas no dia 12 de setembro de 1973 o JB chegou trazendo na capa e em primeira mão a notícia sobre o suicídio do líder chileno na íntegra, emoldurada pelo habitual serviço de classificados.
O JB daquele dia, além de noticiar e explorar com densidade e profundidade o acontecido nas páginas do primeiro caderno, ofereceu também ao leitor um caderno especial, quase uma revista, com 65 páginas de história, sobre o governo, declínio e queda do líder comunista latino-americano, intitulado Tudo Sobre Salvador Allende.
“Os jornais sempre foram uma fonte de História. Repositório de fatos, recolhidos, selecionados e editados no calor do acontecimento, um grande jornal, hoje em dia, ampliou e aprofundou o seu campo visual. O Jornal do Brasil (…) também tem consciência disso. Fazemos jornalismo e, ao mesmo tempo, numa perspectiva distinta, fazemos história. A manchete de hoje não desaparece com o correr dos dias, nem dos anos. Transforma-se”. (Tudo sobre Salvador Allende, JB, 12 de setembro de 1973).
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Opinião Histórica
Mais uma vez “os capitalistas” mostraram que o socialismo era (é) uma ótima idéia no papel e, infelizmente, foi colocada em prática fora de hora. Fidel, um abraço! Agora só nos resta aguardar que as crises econômicas e sociais sejam sempre uma desculpa para golpes de estado. Já não se fazem mais militares como antigamente.
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






achei que falariam dos 10 anos do 11/9 hj
apesar de eu preferir essa noticia do que puxasaquismo americano, ainda gostaria de ouvir um podcast de voces sobre o 11/9, ou algo relacionado
É, você pegou o espírito do “calendário anárquico” do Histórica
E pode ficar tranquilo, esse evento está em nossa lista.
Abraço!
Sim, eu sabia que vc não falaria sobre aquele 11/09… rsrsrs