
“Termina hoje o período de dominação da Índia pela Grã-Bretanha. Nossas relações com a Inglaterra descansarão, doravante, sobre uma base de igualdade, boa vontade e interesse recíproco”, anunciou o ícone revolucionário Jawaharlal Nehru, líder do partido Congresso Nacional e recém-escolhido primeiro-ministro do país.
Após um longo processo de independência, intensificado no início do século XX, o povo indiano, no dia 15 de agosto de 1947, pôde finalmente comemorar a liberdade. Neste momento, o subcontinete indiano passava a ser dividido em dois paises: a Índia (de maioria hinduísta) e o Paquistão (de maioria muçulmana). Apesar dos constantes conflitos étnicos e religiosos na região, na noite em que se era anunciada a liberdade, o clima era majoritariamente de celebração.
Na nova capital do Paquistão, Karachi, Mohamed Ali Jinnah desfilou sobre tapetes persas até onde prestou juramento como governador geral da nova nação muçulmana. “Não tenho mais ambição além de viver honradamente e deixar que os demais também vivam assim”, anunciou ele.
Mohanda Gandhi, o grande líder da resistência pacífica, que ao usar a poderosa arma da não violência conseguiu unir seu povo contra o domínio imperialista britânico, comemorou a independência em Calcutá com 24 horas de jejum, com a esperança de por fim às lutas entre hindus e muçulmanos, que, infelizmente, não ocorreu até hoje.
“Ambos domínios têm grande peso sobre os ombros. Convido todo o povo a celebrar este dia jejuando. Todos devem orar pelo bem-estar da Índia”, declarou o herói. Gandhi se tornou um um ícone mundial ao defender o pacifismo e a desobediência civil como formas de resistência aos colonizadores britânicos. Foi preso várias vezes, mas nem mesmo as grades o impediam de agir. Sensibilizou a opinião pública com suas greves de fome e surpreendeu a todos quando decidiu se retirar das últimas negociações sobre a independência indiana: Gandhi, que ao morrer como mártir recebeu o nome sagrado de Mahatma, não concordava com a divisão do território em dois, pois acreditava que os dois povos (hindus e muçulmanos) poderiam conviver em paz na mesma nação.
Opinião Histórica
Sem sombra de dúvida, Gandhi teve um papel extremamente importante no processo de independência da Índia e seus feitos, da maneira como foram executados, jamais serão repetidos. Guardadas as devidas proporções, Gandhi é tão importante para a Índia como Mandela é para a África do Sul, cada qual com seu próprio estilo de protesto, mas ambos agindo ativamente mesmo atrás das grades. Isso vem para provar, ou melhor, reafirmar pela milésima vez, que a única arma temida por qualquer governo é a opinião pública.
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Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.





