No dia 16 de setembro de 1955 acontecia na Argentina o inevitável. Após meses de tensão política, causada pela pressão dos militares ao governo devido a uma grave crise financeira, as Forças Armadas insurgiram num golpe de Estado que teve como conseqüência a renúncia de Juan Domingo Perón à Presidência da República. Populares e pessoas ligadas ao partido peronistas tentaram pegar em armas para lutar contra o levante, mas Perón abdicou seus então nove anos de governo, não incentivou a revanche e partiu para o exílio no Paraguai.
A insurreição começou na província de Córdoba e se alastrou pela metade sul da Argentina, fazendo com que os representantes da futura Junta Militar exigissem a abdicação do líder populista diante da ameaça de invadir a Casa Rosada e retirá-lo a força do poder. Logo que os militares anunciaram a revolta, o Governo fragilizado decretou Estado de Sítio no país.
Em junho do mesmo ano, setores da Marinha e Aeronáutica já tinham explodido numa violenta tentativa de revolta, controlada habilmente por Perón, o qual ainda exercia poder quase total sobre o Exército. A insurreição era apenas um prenúncio do episódio maior que estava por vir.
Durante nove anos Perón governou a Argentina entre sorrisos, abraços e pancadas. Era quase um ditador, mas um ditador cuja figura apaixonava os “descamisados”. O sujeito sorridente, que usava os cabelos brilhosos penteados elegantemente para trás, venceu as eleições de 1946 e foi reeleito em 1952. Na primeira gestão, obteve 56% dos votos. Seus anos de governo foram marcados pela estatização das ferrovias, empresas de telefonia, de petróleo e companhias de eletricidade, assim como pelo crescimento industrial.
Sob seu comando, os trabalhadores ganharam direito à aposentadoria, férias remuneradas, cobertura de acidentes de trabalho e seguro médico. Na política externa, foi adotada uma postura antiamericana e antibritânica, considerada por ele um ponto de equilíbrio entre o comunismo e o capitalismo.
Logo, a fragilidade do modelo começou a aparecer. Perón não conseguiu controlar a inflação e a crise econômica deslanchava. No quadro internacional, o embrião da Guerra Fria estava amadurecido e o bloco capitalista ocidental, liderado pelos Estados Unidos, condenava e reprimia a política nacionalista de países sul-americanos com tendências socialistas. A irritabilidade dos militares e a eclosão do golpe armado eram óbvios e inevitáveis.
Opinião Histórica
Engraçado, em algum momento o Brasil teve um líder de cabelo arrumadinho… A diferença é que ele privatizou tudo, Perón estatizou. De qualquer maneira, nenhum dos dois resolveu.
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Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






…e digo mais: conheço outro por aqui que só conseguiu se eleger quando arrumou o cabelo (e a barba).
rs… Pedro se fosse assim aqui no Brasil Lula nunca teria eleito.
Pelo que eu li ele “parece” um Vargas da argentina.
Se fosse só pelo cabelo, eu votaria 26: Corrêa!
Bah, então é melhor votar no Jassa de uma vez…
+1
Abraços e Avante Piratas!