Um crime chocou a Alemanha e o mundo. Um jovem operário de 18 anos foi baleado e morto ao tentar saltar o Muro de Berlim, do lado Oriental para o Ocidental. O plano de fugir do território comunista fora elaborado alguns meses antes por Peter Fechter e um amigo, o qual conseguiu cruzar ileso a barreira de 1,80m de altura.
Em nota oficial sobre o acontecido, o Ministério do Interior da Alemanha Oriental disse que os guardas de fronteira tiveram que abrir fogo “quando dois homens que tentavam penetrar em Berlim Ocidental não atenderam às ordens de parar. Um dos criminosos escapou. O outro faleceu no hospital”.
Esta versão, no entanto, foi desmentida por pessoas que se aproximaram do local ao ouvirem os tiros – tanto os disparados para matar o rapaz, quanto os trocados com a polícia da parte Ocidental, por cima do muro. As testemunhas disseram que mesmo tendo implorado para que o jovem fosse socorrido, seus assassinos não se moveram, aguardando ordens superiores. Posteriormente, os autores dos disparos fatais receberam recompensa em dinheiro do governo soviético, como era comum na época.
O episódio gerou uma grande comoção entre os alemães ocidentais, que, em dois dias, se organizaram em uma grande manifestação contra a odiada muralha que dividia a capital ao meio. Cerca de 5 mil pessoas avançaram contra a polícia de sua própria zona após apedrejar um ônibus com soldados soviéticos que cruzavam a fronteira para o outro lado. A multidão só engrossava com o passar das horas, apressando a repressão da polícia do lado capitalista.
Quando o atentado contra a vida de Peter Fechter aconteceu, o Muro de Berlim acabara de completar um ano de existência. A morte do rapaz foi o primeiro e mais grave incidente na zona fronteiriça até então, que serviu de alerta para demais possíveis fugitivos. Hoje, quem passa pelo local do assassinato de Fechter encontra um Memorial, construído em sua homenagem.
Opinião Histórica
Sem querer apelar pro sentimentalismo boboca, artifício extremamente irritante, esse acontecimento é uma boa amostra do “mundo real” para aqueles que, com preguiça de pensar, enxergar glória, honra e patriotismo na II Guerra Mundial (ou em qualquer outra). Gosto de classificar esses eventos como “Não me importo com o que vão dizer porque sou forte o suficiente pra matar meus opositores”. Os dois lados (EUA e URSS) eram fortes o suficiente e conseguiram estar errados ao mesmo tempo, o tempo todo.
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Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.





