Hoje na História, em 2 de novembro de 1975, o corpo do cineasta, escritor e pintor Pier Paolo Pasolini, 53 anos, foi encontrado por um casal em um terreno baldio, nos arredores de Roma, não muito longe da casa onde morava com a mãe. O jovem Giuseppe Pelosi, 17 anos, foi preso e confessou o assassinato. Entretanto até hoje as circunstâncias do crime continuam cercadas de mistério. Há suspeitas de que o adolescente, que seria garoto de programa e teria roubado a vítima, não teria agido sozinho. A polícia não descartou também a hipótese de crime político. O rosto do intelectual estava desfigurado, provavelmente por pauladas.
Até hoje, a morte do cineasta é objeto de controvérsia. No ano passado, 700 intelectuais europeus fizeram um abaixo-assinado, proposto pelo prefeito de Roma, pedindo a reabertura do caso. Nada de novo foi apurado.
Pier Paolo Pasolini, assassinado com ironia
Pasolini causou muita polêmica. Era homossexual assumido, foi expulso do Partido Comunista e seus filmes criticavam a Igreja e os italianos ricos. Antes de tornar-se um cineasta, ficou famoso como autor dos livros Vadios (1955) e Uma Vida Violenta (1959).
Iniciou a carreira no cinema como roteirista. Em 1956, ajudou Fellini a escrever As noites de Cabiria. Dirigiu Teorema, O Evangelho Segundo Mateus, e Gaviões e Passarinhos . E ainda Decameron, Contos de Canterbury, que recebeu o Urso de Ouro do Festival de Berlim em 1973, além de As Mil e Uma Noites. Seu último filme, Saló ou Os 120 dias de Sodoma (1975) foi o mais radical nas críticas contra o fascismo. O enredo mistura a história da república fascista de Saló com os romances no estilo de Marquês de Sade. O resultado são muitas cenas de tortura.
Opinião Histórica
Revoltado com as estruturas da sociedade, Pasolini criticava furiosamente o mundo contemporâneo. Vítima de mais uma das inúmeras ironias da História, Pasolini foi assassinado por uma pessoa que seria facilmente um de seus personagens: Um jovem garoto de programa com antecedentes criminais.
Sua obra gera amor e ódio em seus espectadores, com críticas suaves representadas de forma hostil e vice-versa. Há quem o chame de gênio, há quem o chame de infantil, mas é necessário ser livre do “cinemão pipoca” para entender seus filmes.
Assista ao vídeo com uma cena onde Pasolini faz uma crítica sensacional e não é necessário nem legenda para explicar o que se passa, basta ficar atento ao audiovisual.
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Denise de Almeida no blog Hoje na História. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.









VIOLENTO o filme!!!
Certeza que foi “crime politico” — afinal na Italia, sao todos livres e de bons costumes!
Caraca! Que filme é esse?
Com filmes assim não me admira que ele tenha sido perseguido…
Esse trecho é do filme Salò ou os 120 Dias de Sodoma. A cena tem uma “crítica muito sutil”, né?
Veja a página do filme no iMDB: http://www.imdb.com/title/tt0073650/
Sim, muito sutil esta crítica. Vou procurar o filme pra assistir, porque nunca vi nada do Pasolini.
Obrigado e abraços!
Não conhecia o artista. Filme com cenas fortes, põe um aviso que para quem tem estomago fraco não assistir.
Não entendi o porque de na legenda a da imagem estar escrito morto com ironia!
O jovem que assassinou Pasolini era um garoto de programa, envolvido com drogas e com várias passagens pela polícia, justamente o tipo de personagem que costumava povoar suas histórias literárias, daí a “ironia” na sua morte.
Reiterando o que o Caio pede: Por favor, coloquem um aviso de que o vídeo é escatológico!!
Não é todo mundo que gosta de ter ânsia de vômito ao ver um vídeo, por mais “sensacional” que a crítica seja.
Aliás, não é preciso fazer ninguém vomitar para tecer uma crítica social.
O gosto pela crítica escatológica não é compartilhada por todos, então é de bom tom por um aviso quando vídeos/fotos/textos, etc e tal forem desta natureza.