Hoje na História

22 de outubro de 2011

22 de outubro de 1967: Cem mil pacifistas pedem paz no Pentágono

Pentagono

Multidão se reúne em frente ao Memorial de Lincoln

Cerca de cem mil pacifistas, constituindo delegações de quase todas as cidades norte-americanas, marcharam sobre o Pentágono em protesto contra a guerra do Vietnã e o serviço militar obrigatório nos EUA.

Os manifestantes concentraram-se no Lincoln Memorial e caminharam dois quilômetros até o Departamento de Defesa, onde pararam diante do esquema de segurança do Governo, formado por 12 mil paraquedistas, tropas da Guarda Nacional e agentes federais. No início da marcha os cordões policiais retrocederam diante da coluna de manifestantes que, com o desenrolar do protesto, passaram de uma calma silenciosa para gritos contra o governo e sua política externa. Cada delegação levava uma tabuleta indicando sua procedência. A marcha iniciou-se com as delegações tomando posição atrás dos portadores da Tocha da Paz, acendida há alguns meses em Hiroshima. A delegação de Nova Iorque, formada em sua maioria por negros e porto-riquenhos, levava retratos de Che Guevara e do Primeiro-ministro de Cuba, Fidel Castro.
Quando a coluna de pacifistas chegou diante do Departamento de Defesa, a Polícia calculou que haviam 25 mil pessoas, enquanto os organizadores do evento anunciavam um total de 150 e 200 mil. Aos gritos de “não iremos para o Vietnam”, os manifestantes defrontaram-se com os soldados que resguardavam o Pentágono. Alguns conseguiram furar o bloqueio do esquema de segurança e mais tarde anunciou-se que 14 pessoas haviam sido presas, entre as elas o escritor Norman Mailler, autor de The Naked and The Dead, romance sobre os soldados americanos combatentes no Vietnam. Por um momento, a coluna dos partidários da paz pareceu disposta a romper a barreira, porém retrocedeu, ouviu alguns discursos e dissolveu-se.

Manifestantes chegam ao Pentágono

Opinião Histórica

Famosa pela atividade civil, através da opinião pública, a Guerra do Vietnã não foi o primeiro conflito envolvendo os Estados Unidos que sofreu com a influência negativa das imagens registradas em campos de batalha. Já na Guerra Civil Americana, com a invenção das câmeras fotográficas portáteis (gigantes, mas que poderiam ser transportadas), a população já pressionava o governo de Lincoln, exigindo o fim das mortes inúteis.

Abaixo, vídeos sobre as manifestações de 1967, no Pentágono.

Quer saber mais?

Artigo originalmente publicado por Thiago Jansen no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.
Hoje na História - Direto do CPDoc do JB



Sobre o autor deste post

Gabriel Perboni
Gabriel Perboni é o fundador e editor-chefe do Histórica




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2 Comentários


  1. Zex

    Os americanos nunca foram de sentar e ficar quietos, assistindo o governo fazer o que bem entende… a historia mostra que quando eles estao descontentes, eles protestam e resolvem (ou tentam resolver) de alguma forma… nem que seja na bala — vide a quantidade de presidentes assassinados ou que sofreram atentados a bala.
    Isso nao, necessariamente, faz com que os EUA evitem guerras… acho que eles evitam que a populacao VEJA os estragos e assim ninguem reclama…
    Eh engracado que os americanos nao enxergam a relacao direta das crises economicas americanas com os rios de dinheiro gastos em “guerras” — se enxergassem, com certeza iriam protestar “de alguma forma”.


  2. Os estado-unidenses construíram sua idependência, e desde então eles se viram obrigados a fazer algo para mudar sua situação, seja ela financeira ou política. Acredito que as pessoas lá, inspirados em seus antecessores, não deixam essa chama morrer, mas também o contexto histórico pelo qual o U.S. passava, contribuíu muito para a mobilização popular.

    Seria meio estranho não comentar esse sentimento aqui no Brasil, pois aqui as pessoas não se interessam no sentimento político e estão desacreditadas. Só temos a união do povo, quando ocorre alguma catastrofe ou algum político faz uma merda monstruosa.

    Tenso.

    Abraços e Avante Piratas!



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