No mesmo dia em que uma passeata promovida pelo PDT, liderada por Brizolla, reunia mais de 2 milhões de pessoas no centro do Rio de Janeiro a favor do impeachment de Collor, a Comissão Parlamentar de Inquérito do PC concluiu, por meio de relatório, que o então Presidente teve conhecimento das atividades ilegais de PC Farias e foi omisso no “seu dever funcional de zelar pela moralidade pública”.
Por considerar que Collor recebeu “vantagens econômicas indevidas”, o documento deixou aberto o caminho para que a Procuradoria Geral da República processasse o presidente por corrupção passiva e que a Câmara dos Deputados instaurasse seu processo de impeachment, que seria concluído no fim do ano. Ao final das cinco horas de leitura das 360 páginas do relatório, o relator, então Senador Amir Lando (PMDB), declarou: “Espero que esta nação não fuja dessas verdades”.
“Ficou evidente que o Sr. Presidente da República recebeu vantagens econômicas indevidas, quer sob forma de depósitos bancários feitos nas contas de sua secretária Ana Aciole, da sua esposa, da sua ex-mulher, da sua mãe e da sua irmã, quer sob a forma de recursos financeiros para aquisição de bens (…). Recursos estes originários direta ou indiretamente do Sr. Paulo César Farias. Omitiu-se em conseqüência, o Chefe do Estado do seu dever funcional de zelar pela moralidade pública e de impedir a utilização de seu nome por terceiros para lograrem enriquecimento sem causa”, vinha em um trecho do relatório.
As denúncias contra Collor, investigadas pela CPI, partiram de seu irmão, Pedro Collor, que meses antes havia desmascarado um esquema de corrupção e tráfico de influência operado por Paulo César Farias, tesoureiro de sua campanha presidencial, o que ficou conhecido como “Esquema PC”. Em dezembro, mesmo após a abdicação de Collor à Presidência, o mesmo foi condenado pela Justiça e teve seu mandato cassado e suspenso por oito anos. Eleito como Senador em 2006, hoje Collor é candidato ao governo de Alagoas, pelo PTB.
Opinião Histórica
Episódio conhecido como “Maior Movimentação Política da População Brasileira”, também conhecido como “Maior manobra da massa da História do Brasil”, também conhecida como “Maior despistada da queima de arquivo que foi a morte do PC”. Mas, quem sou eu pra afirmar algo?
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






Conhecido como “Maior Movimentação Política da População Brasileira”? Sempre considerei a campanha “Diretas Já” como maior movimentação política da população brasileira!
Pelo menos eu participei dela, mas não emcampei esta de tirar o Collor, pq eu não tinha nenhuma culpa no fato dele ter ido pro Palácio do Planalto, então não tinha pq tirá-lo de lá. Nunca me decepcionei com o Collor, pq nunca esperei nada de um cara “fabricado” pela mídia, vindo de um dos estados mais pobres do país.
Ah sim, “Diretas Já” também foi grande, mas o “Fora Collor” foi uma manipulação muito maior, foi o que eu quis dizer.
Abraço!
Sim, em termos de manipulação, o “Fora Collor” só perde pra própria eleição do Collor.. mas isso é outro assunto, pra outra data..
Beemm.. continuando, este processo todo teve, eu acho, um lado muito bom:
Manipulado ou não, este Impeachment (não tem uma palavra melhor pra isso não??) provou que é possível tirar um presidente do poder sem ter que apelar pra um golpe de estado, com ou sem ajuda de militares.
Dizer que ele caiu por causa de uma Elba…
Comparado com o que vemos hoje da a impressao que ele nao passa de um ladrao de galinhas.