Internado desde o dia 6 de setembro na Clínica São Vicente, o escritor, diretor, e autor de telenovelas e miniséries Walter Avancini morreu, aos 66 anos, de insuficiência respiratória decorrente de câncer. Nos 43 anos em que exerceu o papel de diretor, Avancini produziu Grande sertão: veredas, Anarquistas graças a Deus, Morte e vida severina, Beto Rockfeller, Selva de pedra, Saramandaia, Gabriela e Xica da Silva. Sob o seu olhar surgiram para a fama Regina Duarte, descoberta em um comercial de geladeira, Sônia Braga – “apostei nela mesmo com seu 1,50 metro” – e Bruna Lombardi.
Filho de imigrantes italianos, Avancini nasceu em 18 de abril de 1935, em São Caetano do Sul, mas foi posteriormente para São Paulo. Além de diretor e roteirista, foi ator, iluminador e operador de câmera, tornando dificil a dissociação da sua história profissional e a história da TV brasileira. Começou na TV Tupi, seguiu para a TV Paulista, foi para a Globo, passou pela TVE, esteve também no SBT e na extinta Manchete. Pelas mãos sofisticadas do diretor, a Globo estendeu a qualidade da dramaturgia das novelas para as miniséries. No gênero, fez Memórias de um gigolô, Chapadão do Brugre, Rabo-de-saia, Avenida paulista. Fora da TV, dirigiu Boca de ouro no cinema, em 1990.
O tom provocativo, o gosto pela polêmica, o dom para o marketing e o temperamento forte renderam a Avancini uma certa aura dentro da teledramaturgia brasileira. “Sou um pai. Duro, mas generosos. Desumano é o diretor que não presta atenção no ator, que bate nas costas do defeito. Generoso é aquele que se desgasta tentando educá-lo. Quem trabalha comigo nunca sai perdendo”, garantia o diretor.
Um diretor universal
“Ele não perdoava nada. Era rigoroso e severo. Para trabalhar com o Avancini,o ator tinha que chegar na hora do cenário, com o papel sabido. Ele tirava grandes interpretações dos atores. E é isso que se quer de um diretor”, disse José Lewgoy, que fez sua primeira novela, Cavalo de aço (1973), sob direção de Avancini. “Lamento pela dramaturgia brasileira” comentou Taís Araújo, que foi lançada pelo diretor na minissérie Xica da Silva, ao saber de sua morte. Ator que mais trabalhou com o diretor – foram mais de 10 produções juntos -, Ney Latorraca resumiu o trabalho de Walter Avancini: “Ele era genial. Um diretor que acrescenta ao ator. Seu trabalho não envelhece nunca. É atual, universal”.
Opinião Histórica
Deixando de lado todas essas declarações sem sal dos companheiros de Walter Avancini, alguém se lembra de Mistério, quando Avancini ainda trabalhava na TV Manchete? Além de ruim, dava voz a charlatões e vigaristas. “Ainda bem” que isso não acontece mais.
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Artigo originalmente publicado por Thiago Jansen no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






Walter Who?? Brother, eu nem sabia q ele ja tinha morrido (ha 10 ano atras).
Mas deixando a piada de lado… o Brasil deveria investir mais em outros tipos de conteudo televisivo na TV aberta, pq na boa: o povo vive de novela, eh tipo horario sagrado com a audiencia no espaco (opa, isso eh tema para o proximo VH) — entao se esse maluco escreveu novela, ele contribuiu para o emburrecimento da populacao!