Após lutar incansavelmente durante seis anos contra um câncer, a premiada atriz Ingrid Bergman não resistiu às investidas de seu inimigo silencioso e morreu no dia em que completava 67 anos. Ao falecer, em Londres, a estrela sueca deixou um exemplo de coragem e perseverança que só não foi seu maior legado porque seu talento foi um dos mais ricos da história do cinema.
Ingrid? – costumava dizer Alfred Hitchcock, seu diretor em Quando fala o Coração (1945) e Interlúdio (1946). – Nunca duvide de que ela seja capaz de se superar, a cada filme. Ela vive caminhando para a perfeição.
Na época em que Hitchcock fez este comentário, Hollywood já começava a renunciar à suas grandes atrizes em benefício dos “símbolos sexuais” que pareciam poderosas armas na guerra da indústria contra a concorrência da televisão. Curiosamente, foi quase como um símbolo sexual que Bergman foi parar em Hollywood. O famoso produtor de cinema Selznick mandou buscá-la na Suécia, esperando transformá-la numa nova Greta Garbo. No entanto, a semelhança entre as duas era menor do que se pensava.
Naquela época os americanos acreditavam que todas as mulheres suecas eram como Greta – lembraria Ingrid alguns anos depois – Por isso ficaram surpresos ao descobrirem que eu falava o tempo todo e adorava rir.
Talento e personalidade eram a mistura perfeita. A atriz, que foi premiada com três Oscar – À Meia Luz (1944), Anastácia, a Princesa Esquecida (1956) e Assassinato no Orient Express (1974) – trabalhou até pouco antes da morte. Em 1982, ela que foi casada com o diretor italiano Roberto Rosselini, se despediu das câmeras interpretando Golda Meir para uma produção televisiva chamada A Woman Called Golda. Em seu currículo ficou a marca expressiva de quarenta e cinco filmes, oito peças de teatro e quatro especiais para a televisão.
Opinião Histórica
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Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.





