O general Manuel Antonio Noriega, homem-forte do Panamá, sufocou a segunda tentativa de golpe militar contra seu regime, dirigida por um grupo de oficiais de médio escalão.
A tentativa de golpe se iniciou às 4h30 da manhã (horário de Brasília), quando o major Moisés Giroldi e os capitães Javier Licona, Jesús Palma e Edgardo Sandoval, à frente de algumas dezenas de oficiais, ocuparam o quartel-general das Forças de Defesa do Panamá, o mais importante do país. Seu objetivo era sequestrar Noriega que, ao contrários do que pensaram os golpistas, não se encontrava no quartel. Os oficiais chegaram a ocupar por alguns momentos a Rádio Nacional do governo, divulgando um comunicado em que informavam, mentirosamente, que oficiais médios haviam afastado o general Noriega e os demais governantes do Panamá. “Nosso movimento é claramente militar, sem qualquer politicagem ou relação com o Exército dos Estados Unidos”, afirmaram. Os sublevados também se disseram torrijistas, referindo-se ao general Omar Torrijos, um nacionalista que governou o Panamá por dez anos e assinou tratados com o presidente norte-americano Jimmy Carter sobre o Canal de seu país.
Entretanto, dez minutos após a o comunicado dos rebelados, as forças de Noriega retomaram o comando da Rádio Nacional e informaram que tudo estava sobre controle. Praticamente não houve adesão popular à tentativa de golpe e, apesar de exergar em Noriega um adversário a seus interesses políticos, os Estados Unidos negou qualquer envolvimento com a rebelião.
General Manuel Antonio Noriega
Inimigo dos EUA
Manuel Antonio Noriega tornou-se o homem mais poderoso do Panamá em 1983, quando se autopromoveu a general (o único do país) e assumiu o comando das Forças de Defesa Panamenhas. Apesar das inúmeras pressões internas e externas para que deixasse o poder, Noriega manteve-se na presidência do Panamá durante sete anos, até 1990, quando o presidente norte-americano George H. W. Bush ordenou a invasão do país com o objetivo de capturá-lo. Em 3 de janeiro de 1990, o general se entregou ao exército norte-americano e foi destituído do poder em seu país. Noriega acabou condenado a 30 anos de prisão por tráfico de cocaína e maijuana para os Estados Unidos.
Opinião Histórica
Dois pontos que chamaram minha atenção nesse artigo.
Primeiro, por que todo golpista fracassado vai à rádio anunciar que o golpe deu certo antes de ter a confirmação disso? Será que esses caras não aprenderam nada com o famoso “Atentado de 20 de Julho” contra Adolf Hitler? Se você não conhece essa História, ouça o Visão Histórica 006: Atentado de 20 de Julho
Segundo: Será que ninguém achou estranho um Chefe de Estado ser preso sob acusação de tráfico de drogas? Isso só não é mais absurdo do que um caso muito recente, onde um Chefe de Estado foi sequestrado, “julgado”, condenado e enforcado, coisa muito democrática mesmo. Lembram disso?
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Thiago Jansen no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






Gostaria de parabenizar o Histórica por essa postagem. É muitíssimo interessante a análise das dinâmicas políticas da América Central e suas relações com os EUA, durante todo o século 20 e parte do 19. Os golpes e demais questões – normalmente justificados pelo viés econômico, porém podendo também ser analisadas pelo viés cultural – nos auxiliam a entender muito do que conhecemos e desconhecemos sobre a América Latina.
Aproveitando o comentário, sugiro um podcast sobre a História do México…
Agora fica a questão: Por que diabos nós sabemos mais sobre a História da Europa do que sobre a de nossos vizinhos e, às vezes, a nossa?
eu acho que eh um pouco por conta da colonizacao e influencias europeis (pos-colonizacao) e talvez tbm pela “vanguarda do velho mundo”… de qq forma em nosso pais, mal se sabe a Historia do Brasil
Eu diria que há dois pontos:
1) não se fala porque não vende;
2) se vendesse, daria um prato cheio para que nossa população, atualmente tão passiva aos absurdos cometidos no cenário político, começasse a se mobilizar. Imagine se todos os jovens se dessem conta do ponto de partida de Che Guevara, até onde ele foi e o quanto ele incomodou toda a América do Sul.
Momento “Luther King”: eu acredito que estamos caminhando para uma maturidade política da população. Longe do ideal, mas percebo, a cada dia, pessoas se informando mais, se indignando mais, e o melhor, se aglomerando em grupos que falam e dialogam sobre isto. Estamos LONGE do ideal, mas acredito que estamos evoluindo.
Imaginem soh se alguma outra grande potencia sequestra o presidente americano? Com a desculpa de q ele esta fazendo “coisas erradas” – quais seriam as consequencias??
Nao estou querendo dizer que o Noriega ou o Saddan eram bonzinhos e que tbm nao fariam o mesmo se estivessem do outro lado do tabuleiro… quem tem o poder vai agir em nome dos seus proprios interesses (e nao em nome da “liberdade”).
Eu nao sei como os EUA ainda nao tirou o Chaves do poder… ja que a Venezuela tem o oleo negro que eles tanto apreciam… bom, mas isso eh outra historia!
Sobre tirar o Chaves do poder, acredito que tenha mais a ver com a confusão que estariam caçando com toda a América do Sul.
No contexto atual, seria como vir atrás da Dilma e alegar que ela favorece qualquer m*rda que tenha ligação com a China ou alguém lá do Oriente Médio.
Tem muita coisa européia com pontas aqui na América do Sul que não estão, digamos, em pé de amizade com o falido estado norte-americano.
Bom… claro que posso estar equivocado (e possivelmente eu esteja), mas é um motivo plausível para que hoje, mesmo com todo aquele petróleo lá dando sopa, os FEUA (Falidos Estados Unidos da América) não tenham vindo fazer o saqueamento.
Ainda…
comprar briga nunca foi problema para os US… mas o Chaves deve estar na parte inferior da lista de problemas, mesmo pq o oriente medio tem mto mais petroleo (e os USA ja estao com os pes la ha mto tempo).