No último dia de setembro de 1937, a cúpula do Governo Getúlio Vargas anunciava a descoberta do controvertido e perigoso Plano Cohen. De acordo com o Ministério da Guerra, o plano fora criado por perigosos comunistas, no intuito de derrubar o poder vigente e instaurar no país um estado de tumulto e caos, por meio de perseguição às famílias e aos militares, incentivo às revoltas populares, saques, violência e desrespeito à mulher.
“O Estado Maior do Exército apreendeu os planos de ação organizados pelo Komintern para orientação dos seus agentes no Brasil. Trata-se de uma série de instruções destinadas a parar e levar a efeito um golpe comunista”, vinha publicado no JB.
Antes de checar a veracidade das informações, a população entrou em pânico. O inimigo oculto, grande falácia do capitalismo no século XX, rondava o país, invisível e podia estar em qualquer lugar. Foi o suficiente para a classe média entrar em desespero e entregar nas mãos dos militares o poder de garantir as suas vidas. No dia seguinte, para garantir a segurança nacional e a normalidade da sociedade, instaurou-se o Estado de Guerra, adiando as eleições presidenciais, que ocorreriam em fevereiro do ano seguinte. Dois meses depois, Vargas instituía o Estado Novo.
Antes de ser proclamado o governo populista e autoritário, no entanto, a capital da República fervia nos burburinhos e especulações sobre as intenções dos partidários de Stalin.
Em 1945, no ruir do Estado Novo com o fim da Segunda Guerra, foi revelado pela cúpula militar que esse documento havia sido criado por membros do próprio governo, os quais tramavam por trás dos panos do Palácio do Catete um novo golpe político, que possibilitasse a continuação do getulismo, como de fato ocorreu.
Opinião Histórica
Fogo no parlamento alemão, impeachment de Fernando Collor, World Trade Center, Plano Cohen… Guardadas as devidas proporções e, POR FAVOR, sem nenhum traço de teoria conspiratória, quando eu digo “mídia manobra a massa”, é disso que estou falando! A imprensa é “apenas” um fantoche atendendo aos interesses de poderes superiores, mas é o canal, às vezes único, que liga o povo civil ao poder e, justamente por isso, deveria agir, em um mundo utópico, como agente da verdade.
O Plano Cohen poderia ser o roteiro de um filme dos anos 80, com bandidos realmente malvados, correndo com um saco escrito “$”. Confiram o trecho do “suposto” plano, onde ele trata sobre os reféns:
No plano de violências deverão figurar, como já foi dito atrás, os homens a serem eliminados e o pessoal encarregado dessa missão. Todavia, tão importantes quanto estes serão os reféns, que, em caso de fracasso parcial, servirão para colocar em xeque as autoridades. Serão reféns: os Ministros de Estado, presidente do Supremo Tribunal, e os presidentes da Câmara e do Senado, bem como, nas demais cidades, duas ou três autoridades ou pessoas gradas. A técnica para a colheita de reféns será a seguinte: os raptos deverão ser executados em pleno dia, nas próprias residências, que serão invadidas por grupos de 3 a 5 homens dispostos e bem-armados e munidos de narcóticos violentos (clorofórmio, éter em pastas de algodão empapadas) e serão transportadas para pontos secretos e inatingíveis, com absoluta segurança. Em caso de fracasso, proceder ao fuzilamento dos reféns.
Só faltou: “…e comer as criancinhas!”
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






hahahahahaha, desculpa é só isso que eu tenho a falar…
Famoso, “Se colar, colou”.
Abraços e Avante Piratas!
Eu fico me perguntando: será que a “classe média” realmente engoliu a história e pediu para os militares salvarem a pátria, a moral, os bons cosatumes e as criancinhas? Onde está documentado esta manifestação do povo? Engraçado também o famoso “tirar o rabo da reta” da imprensa: “Antes de checar a veracidade das informações, a população entrou em pânico”. Quem deve checar a veracidade das informações antes de publicar? O pressuposto do bom jornalismo e de utilidade pública é ter acesso, interpretar e checar as informações, transmitindo com o máximo de isenção possível para o público. Difícil pensar que o povo acreditaria tão facilmente nessa historinha para boi dormir se não tivesse sido induzido a isso!
Pois é, há quem diga que a mídia não representa opinião pública, mas, sem sombra de dúvida, a influencia de forma catastrófica. A questão da “classe média”, acredito, é que essa é a parte da população mais sujeita a qualquer pressão ou instabilidade, uma vez que o rico dá seu jeito e o pobre não tem nada a perder. Naturalmente, uso rico, médio e pobre de maneira leviana, apenas para ilustrar o pensamento (Tem gente que não “pega” a ironia no ar).
Na verdade que deveria ter sido plano “Bela Khun” ja que o dito documento era assinado pelo comunista hungaro.
Mas quem é que vai se assustar com algo que comeca com Bela e termina com …(piada pronta).
Puta, realmente parece ate roteiro de filme… eh mto interessante observar a capacidade criativa para elaborar planos mirabolantes e executar manobras politicas para favorecer o interesse de poucos… mas nao aplicar a mesma criatividade e esforco para o bem do pais e da populacao!
Quanto a credibilidade da midia e a manipulacao dos telespectadores (o povo), pelo menos no Brasil… o que for veiculado na TV vira verdade absoluta! Ate que se prove o contrario… Que inferno neh?
Abrax