Hoje na História

30 de agosto de 2010

30/08/1993 – Vigário Geral, você se lembra?

30/08/1993 – O conteúdo já é conhecido: traficantes e policiais se enfrentando, uns dando tiro nos outros. Porém o que dizem é que quatro policiais que supostamente estariam extorquindo os moradores e pegando dinheiro nas “bocas de fumo” de Vigário Geral, RJ, foram mortos pelos traficantes. Daí, como o ser humano é rancoroso e os grupos de humanos rancorosos se tornam corporativistas e violentos, deu no que tinha que dar: merda! E essa merda tem nome, hoje é conhecida como Chacina de Vigário Geral.

Nesta data, cerca de 50 homens encapuzados entraram na favela de Vigário Geral e saíram arrombando casas, entrando em bares e executando, aleatoriamente, 21 moradores da favela que não teriam nenhum envolvimento com o tráfico de drogas.

Segundo investigações os homens encapuzados e responsáveis pela Chacina de Vigário Geral, eram de grupos de extermínio formado por policiais militares. Meses depois da chacina 13 policiais militares foram expulsos, no decorrer dos anos 6 foram condenados. Ah sim em números (13+6)-50=31.



Sobre o autor deste post

Rodrigo Ken





 
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  1. Phillipe Forte

    Só naum entendi a conta. rs
    Me lembro disso na verdade quando passo na frente do vigario com alguem ainda me lembra dessa chacina.


  2. Phillipe, ainda têm 31 policiais envolvidos que não foram condenados, expulsos ou responsabilizados de qualquer maneira pelos atos que cometeram.

    Abraços!


  3. leandro

    são todos corrupitos, judiciario, policiais e politicos.
    por isso que ñ existe punição no brasil!!!!


  4. http://odia.terra.com.br/blog/blogdaseguranca/200808archive001.asp

    Vigário Geral: tragédias por todos os lados
    Por Gustavo de Almeida

    Poucos sabem, mas há um PM no caso de Vigário Geral que acabou se tornando vitima. Trata-se de Sérgio Cerqueira Borges, conhecido como Borjão.
    Borjão foi um dos presos que em 1995 já eram vistos como inocentes, colocados no meio apenas por ser do 9º´BPM. A inocência de Borjão no caso era tão patente que ele inclusive foi o depositário de um equipamento de escuta pelo qual o Ministério Público pôde esclarecer diversos pontos em dúvida.
    Borjão foi expulso da PM antes mesmo de ser julgado pela chacina. Era preso disciplinar por “não atualizar endereço”.
    Borjão conta até hoje que deu depoimento em seu Conselho de Disciplina sob efeito de tranqüilizantes, ainda no Batalhão de Choque. Seus auditores sabiam disto. “No BP-Choque, fomos torturados com granadas de efeito moral as vésperas do depoimento no 2º Tribunal do Júri, cujos fragmentos foram apresentados à juíza, que enviou a perícia. Isto consta nos autos, mas nada aconteceu”, conta Borjão, hoje sem uma perna e com a saudade de um filho, assassinado em circunstâncias misteriosas, sem que ele nada pudesse fazer.
    “No Natal fui transferido para a Polinter. Protestei aos gritos contra a injustiça. e Me mandaram para o hospital psiquiátrico em Bangu mas, por não ter sido aceito, retornei e em dias fui transferido para Água Santa. Lá também fui espancado e informei no dia seguinte em juízo, estando com diversos ferimentos, mas sequer fiz exame de corpo delito. Transferido para o Frei Caneca, pude ajudar a gravar as fitas com as confissões e em seguida fui transferido para o Comando de Policiamento do Interior. Após a perícia das fitas fui solto. Dei entrevistas me defendendo e tive minha liberdade provisória cassada e me mandaram para o 12ºBPM a fim de me silenciarem. No júri, fui absolvido. Meus pedidos de reintegração à PM nunca foram respondidos”.
    A história de Borjão ao longo de todos estes 15 anos só não supera mesmo a dor de quem perdeu alguém na chacina. Mas eu não estaria exagerando se dissesse que Sérgio Cerqueira Borges acabou se tornando uma vítima de Vigário Geral. “Tive um filho com 18 anos assassinado por vingança. Sofri vários atentados e um deles, a tiros, me fez perder parcialmente os movimentos da perna esquerda. Sofro de diabete, enfartei aos 38 anos e vivo com um tumor na tireóide. Hoje em dia tento reintegração à PM em ação rescisória, o processo é o número 2005.006.00322 no TJ, com pedido de tutela antecipada para cirurgia no Hospital da PM para extração do tumor. Portanto, vários atentados à dignidade humana foram cometidos. As pessoas responsáveis nunca responderão por diversas prisões de inocentes? Afinal foram 23 inocentes presos por quase quatro anos com similares seqüelas. A injustiça queima a alma e perece a carne!”, desabafa Borjão.
    Borjão hoje conta com ajuda da OAB para lutar por sua reintegração. Mas o desafio é gigantesco.
    Triste ironia do destino: o policial hoje mora em Vigário, palco da tragédia que o jogou no limbo.

    A filha dele, no entanto, me contou há alguns dias que não houve tempo suficiente para esperar pela Justiça e pela PM – Borjão teve que operar às pressas o tumor na tireóide no Hospital Municipal de Duque de Caxias. A cirurgia foi bem. Sérgio Cerqueira Borges vai sobreviver mais uma vez.
    Sobreviver de forma quase tão dura como os parentes de 21 inocentes, estas pessoas que sobrevivem mais uma vez a cada dia, a cada hora. No Rio de Janeiro é assim: as tragédias têm vários lados e a tristeza de quem tem memória dificilmente se dissipa. Pelo menos nesta data, neste 29 de agosto que nos asfixia.


  5. http://www.youtube.com/watch?v=7JcIsbkOoFw

    Depoimento sucinto do ferimento da dignidade e honra de um injustiçado por meio de torturas diversas e transgressões a direitos fundamentais constitucionais da carta cidadã brasileira, usando as legislações de forma deturpada e manipulável para atingir não a justiça mas interesses escusos por parte dos investigadores tendo até hoje a omissão do poder público a esta situação.



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