No dia 31 de outubro de 1996, a cidade de São Paulo foi cenário do maior acidente aéreo já registrado em uma área urbana até então: um Fokker 100 da TAM caiu sobre o pacato Jardim Oriental, no bairro do Jabaquara, a 1.200 metros da pista do Aeroporto de Congonhas, matando seus 90 passageiros, seis tripulantes e destruindo um conjunto de oito casas. Pelo menos sete moradores da região morreram no desastre. Casas em chamas, cerca de uma dúzia de automóveis destruídos, escombros, pânico e uma cortina de fumaça negra transformaram o Jardim Oriental num cenário de guerra.
O trem de pouso do voo 402
O Fokker 100 estava iniciando o voo KK 402, depois de ter vindo de Caxias do Sul (RS) para São Paulo, com escala em Curitiba (PR). Antes da queda, o avião, que havia decolado às 8h26 com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio, passou a 50 metros de uma escola estadual onde cerca de 450 estudantes iniciavam o turno da manhã, e foi se chocando contra os telhados de quatro prédios. No final da tarde, o número de mortos variava entre 103 e 118, nos boletins afixados no mural de avisos do Instituto Médico Legal, para onde os corpos foram removidos. As equipes de resgate recuperaram as duas caixas pretas que continham informações relevantes para o esclarecimento do acidente. Uma delas possuía a gravação do diálogo mantido entre o comandante José Antônio Moreno e o co-piloto Ricardo Martins nos 20 minutos que antecederam a tragédia. A outra guardava os dados gravados por 34 computadores de bordo. As caixas foram entregues ao Serviço Regional de Prevenção de Acidentes, do Ministério da Aeronáutica. De acordo com Luís Eduardo Falco, então vice-presidente da TAM, o avião havia sido comprado direto da fábrica em agosto de 1993 e estava com o cronograma de revisões em dia.
Em Brasília, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que tinha um amigo entre os passageiros, expressou sentimentos de pesar e disse que o acidente chamava a atenção para as condições dos aeroportos brasileiros em centros de alta densidade populacional.
Investigações posteriores concluíram que logo depois que tirou o trem de pouso do solo, o Fokker 100 teve uma pane no reversor da asa direita e, com isso, não conseguiu ganhar velocidade e altura para decolar e começou a pender para a direita. Não houve tempo para o piloto tentar qualquer manobra de emergência.
Opinião Histórica
Geralmente, por mais bizarro que seja o assunto, existe uma piada ou ironia que cabe perfeitamente na premissa do Histórica. Mas sobre esse assunto não há do que rir. Só fica a nota para a ação do presidente: “…expressou sentimentos de pesar e disse que o acidente chamava a atenção para as condições dos aeroportos brasileiros em centros de alta densidade populacional…”
Se isso é tudo que o presidente pode fazer, não é de admirar que os acidentes continuem acontecendo. Acho que isso chama negligência ou alguma outra palavra dessas, que se usa de vez em quando e ninguém se importa ou toma providência.
Conversa entre o piloto do voo 402 e a torre de controle, legendada, registrada pela caixa preta do avião.
Matérias jornalísticas sobre o acidente do voo 402 da TAM
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Thiago Jansen no blog Hoje na História. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.







Muito bom gostei da matéria! Muito intessante.
..o presidente: “…expressou sentimentos de pesar e disse que o acidente chamava a atenção para as condições dos aeroportos brasileiros em centros de alta densidade populacional…”
Pois é.. e ninguém saiu por aí tentando criar movimento pelo impeachment por causa de uma queda de avião..
Well.. também não pedem quando metrôs transformam ruas em crateras…
É exatamente esse o problema (um dos). Quando acontece uma tragédia, todos ficam comovidos e dão uma declaração padrão do estilo “sentimos muito” ou “já foi aberto edital” e não acontece nada no meio civil, a população permanece comovida até o próximo acidente ou jogo de futebol. Se o caso for mais grave, acabar com a comoção exige drogas mais fortes como “shows de realidade”.
Vejo isso como um neo-pão e circo, é tão fácil manipular a opinião pública para encobrir os fatos, que se torna inviável solucionar os problemas.
É mais fácil empurrar a culpa para os nossos representantes, do que fazer a coisa toda mudar, pensando bem, nós vivemos em um momento histórico meio problemático, O estado nos empurra o neo-pão e circo, a oposição nos empurra criticas contra o governo, não sabemos em quem acreditar, pois afirmar algo na atual conjuntura é loucura.
E sabe o que é pior? Ficamos transbordados de informação inútil e o principal é esquecido.
Abraços e Avante Piratas!
Pois é… e é daí que vem minha máxima: Quer saber o que está acontecendo agora? Senta e espera 100 anos, talvez você consiga.
Aviao eh o meio de transporte mais seguro do mundo, porem, acidentes acontecem! De quem eh a culpa?? Acho que deve ser minha que “tenho” que utilizar aviao como meio de transporte…