Dez anos após ter sido eleito à Presidência da República e um ano depois de ter ido para o exílio na França, JK retornou em definitivo ao Brasil, após 16 meses fora do país. Protegido por contingentes da Aeronáutica e por elementos do Departamento Federal de Segurança, Juscelino Kubitschek desceu na manhã do dia 4 no aeroporto do Galeão, depois de um exílio voluntário de 16 meses. Cerca de cinco mil pessoas, entre estudantes, militares e políticos, esperavam o desembarque do ex-presidente, na Ilha do Governador.
- Neste instante, não tenho expressões para demonstrar minha satisfação pelo regresso. Diante de tão apoteótica e carinhosa recepção, tenho que agradecer a Deus essa oportunidade – declarou JK à imprensa.
Assim que deixou o aeroporto, JK foi prestar depoimento numa delegacia de polícia, como mandava a praxe, mas depois de horas de interrogatório foi liberado. Nesta época, a imagem do ex-governante ainda estava um pouco prejudicada devido a denúncias de corrupção por parte do Exército, que impugnara seu mandato como Senador de Goiás em 64.
No dia em que JK colocava os pés no Rio de Janeiro, eleições que decidiriam o futuro governante do Rio de Janeiro estavam acontecendo. Parte dos um milhão e 380 mil eleitores cariocas elegeria Negrão de Lima como líder do estado, com mandato terminando apenas em 1970. Negrão, simpatizante de JK, também esteve presente na recepção calorosa do ex-presidente, no Galeão, naquela manhã.
Dois anos depois de ter regressado ao país, JK tentou organizar a Frente Ampla, de oposição ao regime militar, junto com Jango e o controverso Carlos Lacerda. Também tentou voltar à vida pública, mas a propaganda contrária a sua candidatura movida pelos militares, acusando-o de corrupto, fizeram com que ele jamais conseguisse ser eleito para qualquer cargo do Executivo. Em 76, o simpático Presidente em cujo governo se deu a construção de Brasília, morreria em um acidente de carro.
Opinião Histórica
Entre todas as desculpas esfarrapadas usadas para justificar a construção de Brasília, a única que foi cumprida não estava no papel. Era a manobra de transformar a nova capital federal na Marselha brasileira. Assim como na França de séculos passados, o Brasil agora tinha sua sede do governo bem longe da população chata e cheia de vontade de reclamar e protestar. A diferença básica, guardadas as devidas proporções, é que os franceses foram buscar o rei na base da porrada, enquanto no Brasil se fez muita festa e, até hoje, poucos entendem a ferramenta de dispersão que é nossa bela capital.
Quer saber o que aconteceu na França quando o rei mudou a capital de Paris para Marselha? Ouça o Visão Histórica 017: Revolução Francesa – Parte 1 e Visão Histórica 018: Revolução Francesa – Parte 2
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






Já?!
Bom, Juscelino é a figura que mais me faz pensar sobre a questão de mandatos tão curtos. Sua política de 50 anos (de contração de dívidas) em 5 é o maior exemplo de como o planejamento a longo prazo é totalmente desinteressante para um presidente que, ao final de 4 ou 8 anos, se livra da responsabilidade de qualquer desastre consequente de suas defecadas enquanto governante. Os impopulares Jânio “forças ocultas” Quadros e Jango que digam.
Concordo plenamente contigo.
Aí está um dos motivos de não se investir seriamente em educação – afinal, renderá frutos daqui a algumas décadas, quando outro já estiver no cargo para colher os louros.
O que não pode render votos quatro anos adiante é ignorado.
Sempre tive a impressão de que durante o governo JK as empreiteiras ganharam uma força junto aos governos que não tinham até então.
Nunca pesquisei a fundo isso, mas a impressão é forte e Brasília me parece ser uma prova e tanto.
E Jânio não teria sido eleito com uma campanha anti-corrupção à toa…
Pelo menos o JK nao conseguiu mais exercer nenhum cargo politico… coisa que nao acontecesse hj em dia: os corruptos estao todos soltos, a populacao esquece os escandalos de corrupcao e anos depois ele esta de volta ao poder, seja no senado, na camara dos deputados, no governo do estado, na prefeitura, no ministerio e assim vai… um bom exemplo eh o Collor (hoje senador), que comentamos aqui no Hoje na Historia alguns dias atras…
Quanto a Brasilia, alem da manobra de dispersao (q funcionou e funciona mto bem para esse proposito), foi uma MAQUINA de lavar dinheiro com obras superfaturadas.
No Brasil a gente costuma falar que tem “politico” que rouba mas faz e na verdade ele faz para roubar — triste neh?
Entao, como ja disse antes: que morram todos!