Hoje na História, em 5 de novembro de 1982, mais de cinco mil pessoas estiveram presentes no canteiro de obras de Itaipu, nas arquibancadas montadas nas duas margens do Rio Paraná, para assistir à inauguração oficial das obras da barragem. O evento contou com a presença dos Presidentes do Brasil, João Figueiredo, e do Paraguai, Alfredo Stroessner.
A grande estrela da tarde foi a abertura de uma só vez das 14 comportas do vertedouro da usina que, em 30 minutos, formaram uma gigantesca onda que encharcou o público. No dia da inauguração da hidrelétrica, que teria seu reservatório completamente cheio no dia 12 do mesmo mês, Figueiredo anunciou que o excedente de energia produzido por Itaipu – além de abastecer o projeto binacional Brasil-Paraguai – iria ser vendido a outros países da América do Sul.
- Esta obra que é, sem dúvida, a maior obra do gênero do mundo e que produzirá, quando completada, cerca de 12 milhões de quilowatts, tem seu significado maior não tanto na energia que vai produzir para o Brasil e o Paraguai, mas o que produzirá para os países da América. É um exemplo do que é possível fazer em entendimento entre as nações quando existem respeito e amizade – declarou Figueiredo na solenidade, sob intensa chuva e diante das poucas pessoas que restaram ao final da abertura das comportas.
Sete Quedas, antes da Usina de Itaipu
Era o início do fim das obras da hidrelétrica que esteve em construção durante oito anos, numa parceria entre as duas nações. Hoje, Itaipu é a segunda maior usina geradora de energia do mundo: representa 90% da energia elétrica consumida no Paraguai e 19% no Brasil. Sua construção concentrou a força de trabalho de 40 mil funcionários; moveu barreiras físicas e criou barreiras políticas (com a Argentina) ao desviar o curso do Rio Paraná; foi uma das maiores obras realizadas no Brasil e que, admiravelmente, não sofreu atrasos com a recessão, nunca lhe faltando crédito ou dinheiro – uma verdadeira aula de engenharia e planejamento; e ainda foi realizada minuciosamente dentro do prazo estimado no acordo firmado bilateralmente em 1974.
Opinião Histórica
O que você acha melhor? Ter uma cachoeira bonita ou um trunfo político-militar? A resposta sempre vai gerar polêmica, mas é fato que a Usina de Itaipu pode, literalmente, apagar o Paraguai e ainda isolar a fronteira com a Argentina. Hoje isso não faz sentido, mas em épocas de Guerra Fria e incertezas quanto aos regimes e posicionamentos políticos, era uma excelente ideia.
Por outro lado, animais, vegetação, meio ambiente em geral e, principalmente, a exuberante paisagem do Salto das Sete Quedas, jamais serão recuperados. Triste fim para a natureza, mas se você está sentado em frente ao computador agora, é melhor pensar bem antes de criticar a obra.
Ainda vale lembrar que o “respeito e amizade entre as nações”, politicamente colocados por Figueiredo, não parecem estar sendo cumpridos, uma vez que o Paraguai vive em desacordo com os valores cobrados pela energia produzida, gerando um impasse diplomático que dura desde a abertura da usina até hoje (e vai continuar existindo por muito tempo).
Assista ao vídeo com matéria que retrata a tristeza dos moradores da região que substituiu o Salto das Sete Quedas pela Usina de Itaipu.
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Alice Melo no blog Hoje na História. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.









Como assim a paisagem de Sete Quedas é irrecuperável? http://historica.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Sete-Quedas1.jpg problem solved
Homem 1 x 0 Natureza
pessoas levando esse comentário a sério abaixoAcho que vale muito mais um trunfo militar do que uma bela paisagem. O documentário não é nem um pouco imparcial, criticando fortemente a construção da barragem sem mostrar seus benefícios.
A construção ter demorado apenas oito anos é um fato incrível, aqui em Uberlândia(onde moro), existe uma barragem nas proximidades onde demorou 10 anos para ser construída, mas as dimensões são imensamente menores.
Acho que Itaipu é uma das melhores coisas que o governo militar deixou para nós, e se isso foi feito destruindo uma paisagem natural, só podemos aceitar, e pensar que foi necessário.
5 DE NOVEMBRO E VCS NÃO FALAM DA TRAIÇÃO DA PÓLVORA!!!!
“Remember, remember, the 5th of November
The gunpowder, treason and plot;
I know of no reason, why the gunpowder treason
Should ever be forgot.”
Sempre bom ferrar os Argentinos.