No primeiro dia do estado de sítio decretado pelo governo militar chileno, após um atentado contra o general Augusto Pinochet organizado por células paramilitares da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), soldados do exército e da polícia chilena prenderam dirigentes políticos e padres, invadiram bairros pobres, igrejas e outros locais religiosos, e suspenderam as redações de seis revistas e a agência de notícia inglesa Reuters. Em comunicado à imprensa Augusto Pinochet criticou duramente os políticos da oposição e advertiu que o Chile está em guerra e que todos devem optar entre “a democracia” representada por ele, ou “o caos”, representado pela oposição e, principalmente, pelos marxistas que recorreram à luta armada.
Ao amanhecer do dia 8, o primeiro bairro cercado por tanques leves e carros blindados foi o de La Victoria. A região foi completamente isolada e ninguém pôde entrar e nem sair. Mais tarde os soldados voltaram suas atenções para os locais religiosos da cidade, como a modesta Igreja de La Victoria e a Casa da Cultura Padre André Jarlan, que foram arrombadas, revistadas e depredadas pelos policiais e militares, que queimaram panfletos religiosos e confiscaram diversos materiais.
Durante a operação foram presos dirigentes políticos de esquerda, como German Correa, presidente da coalizão de partidos marxistas, o socialista Ricardo Lagos, participante de uma coalizão moderada, e o padre Rafael Maroto, que, por sua atuação num grupo político de esquerda, já havia tido suas funções sacerdotais suspensas.
O general Augusto Pinochet assumiu oficialmente o cargo de Chefe Supremo da Nação chilena em 17 de junho de 1974, após liderar, com o apoio dos EUA, o golpe de estado que depôs Salvador Allende, o primeiro presidente socialista eleito democraticamente num país latino-americano. Sua chegada ao poder inaugurou um período negro na história do Chile, marcado por uma ditadura militar violenta e repressora que acabou com a liberdade política no país e foi constantemente denunciada pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) por violar os direitos humanos de centenas de chilenos. Após entregar o cargo de líder do Chile em 1990, Pinochet enfrentou uma série de processos judiciais pelas atrocidades de sua ditadura, mas jamais foi condenado. O ex-ditador morreu em 10 de dezembro de 2006, ironicamente, no Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Opinião Histórica
Assim como no Chile, os ditadores são lembrados como ditadores e os opositores como libertadores, mesmo que as duas facções tenham o mesmo objetivo, o governo absolutista.
Quer saber mais?
Artigo originalmente publicado por Thiago Jansen no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.






Naquela época na América latina a moda era dos governos ser esqueda ou ditadura militar. Mais ditador tinha que ser preso depois que saio no poder.
Curioso seu comentário, vem de encontro ao que eu citei na Opiniaõ Histórica. Veja só, você cita “Esquerda” ou “Ditadura Militar” e um dos poucos governos “Esquerda” que viveram pra contar sua História, é justamente um governo de esquerda montado e mantido sob ditadura militar.
Abraço!
tenho certeza que se o Pinochet nao tivesse chegado ao poder ele seria opositor e lutaria junto com “libertadores” contro o governo no poder – pq no fim das contas nao existe ideologia politica, esquerda ou direita… de um lado ou do outro todos lutam por uma unica causa: seus proprios interesses… mas ainda bem que isso nao acontecesse mais em todos esses anos nessa industria vital…
tirando a brincadeirinha sem graca, o resto eh serio. VIVA A REVOLUCAO! =]