Hoje na História

8 de setembro de 2011

8 de setembro de 1986: Decretado estado de sítio no Chile

Hoje na História - Direto do CPDoc do JBNo primeiro dia do estado de sítio decretado pelo governo militar chileno, após um atentado contra o general Augusto Pinochet organizado por células paramilitares da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), soldados do exército e da polícia chilena prenderam dirigentes políticos e padres, invadiram bairros pobres, igrejas e outros locais religiosos, e suspenderam as redações de seis revistas e a agência de notícia inglesa Reuters. Em comunicado à imprensa Augusto Pinochet criticou duramente os políticos da oposição e advertiu que o Chile está em guerra e que todos devem optar entre “a democracia” representada por ele, ou “o caos”, representado pela oposição e, principalmente, pelos marxistas que recorreram à luta armada.
8 de setembro de 1986 – Decretado estado de sítio no ChileAo amanhecer do dia 8, o primeiro bairro cercado por tanques leves e carros blindados foi o de La Victoria. A região foi completamente isolada e ninguém pôde entrar e nem sair. Mais tarde os soldados voltaram suas atenções para os locais religiosos da cidade, como a modesta Igreja de La Victoria e a Casa da Cultura Padre André Jarlan, que foram arrombadas, revistadas e depredadas pelos policiais e militares, que queimaram panfletos religiosos e confiscaram diversos materiais.

Augusto PinochetDurante a operação foram presos dirigentes políticos de esquerda, como German Correa, presidente da coalizão de partidos marxistas, o socialista Ricardo Lagos, participante de uma coalizão moderada, e o padre Rafael Maroto, que, por sua atuação num grupo político de esquerda, já havia tido suas funções sacerdotais suspensas.

O general Augusto Pinochet assumiu oficialmente o cargo de Chefe Supremo da Nação chilena em 17 de junho de 1974, após liderar, com o apoio dos EUA, o golpe de estado que depôs Salvador Allende, o primeiro presidente socialista eleito democraticamente num país latino-americano. Sua chegada ao poder inaugurou um período negro na história do Chile, marcado por uma ditadura militar violenta e repressora que acabou com a liberdade política no país e foi constantemente denunciada pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) por violar os direitos humanos de centenas de chilenos. Após entregar o cargo de líder do Chile em 1990, Pinochet enfrentou uma série de processos judiciais pelas atrocidades de sua ditadura, mas jamais foi condenado. O ex-ditador morreu em 10 de dezembro de 2006, ironicamente, no Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Opinião Histórica

Assim como no Chile, os ditadores são lembrados como ditadores e os opositores como libertadores, mesmo que as duas facções tenham o mesmo objetivo, o governo absolutista.

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Artigo originalmente publicado por Thiago Jansen no blog Hoje na História do Jornal do Brasil. Reprodução autorizada pela parceria firmada entre o Histórica e o CPDoc do Jornal do Brasil em nome da disseminação do conhecimento de assuntos históricos e o fomento de sua pesquisa em qualquer nível. A seção “Opinião Histórica” é a opinião do editor do artigo sobre a matéria e não faz parte do texto original.
Hoje na História - Direto do CPDoc do JB

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Sobre o autor deste post

Gabriel Perboni
Gabriel Perboni é autodidata por natureza e músico por teimosia. Apaixonado pela História, pratica a pesquisa e a produção de conhecimento por hábito. É o fundador e editor-chefe do Histórica.




 
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  1. Phillipe Forte

    Naquela época na América latina a moda era dos governos ser esqueda ou ditadura militar. Mais ditador tinha que ser preso depois que saio no poder.


    • Curioso seu comentário, vem de encontro ao que eu citei na Opiniaõ Histórica. Veja só, você cita “Esquerda” ou “Ditadura Militar” e um dos poucos governos “Esquerda” que viveram pra contar sua História, é justamente um governo de esquerda montado e mantido sob ditadura militar.

      Abraço!


  2. Zex

    tenho certeza que se o Pinochet nao tivesse chegado ao poder ele seria opositor e lutaria junto com “libertadores” contro o governo no poder – pq no fim das contas nao existe ideologia politica, esquerda ou direita… de um lado ou do outro todos lutam por uma unica causa: seus proprios interesses… mas ainda bem que isso nao acontecesse mais em todos esses anos nessa industria vital…
    tirando a brincadeirinha sem graca, o resto eh serio. VIVA A REVOLUCAO! =]



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