03/10/1968 – Hoje em dia se utilizarmos a frase: “USP X Mackenzie” você pode imaginar que seria uma dúvida, pra saber qual delas teria o melhor ensino ou, talvez, a que faz a melhor choppada nas noites de quinta-feira. Mas isso é hoje e você pode estar enganado, pois os alunos da Filo, da USP, eram da esquerda, comunistas, já os alunos do Mackenzie eram da direita, de orientação fascista e apoiavam a ditadura. Como sempre acontece com a divergência de opiniões, perde-se o respeito e gera-se conflito.
Em 1968 a coisa era bem diferente, reinava o regime militar e os estudantes estavam em polvorosa. Nesta data, durante a manhã, alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP faziam um pedágio na rua Maria Antônia para arrecadar fundos para a União Nacional dos Estudantes (naquela época extinta pelo regime militar). Tudo ia bem até que alunos do Mackenzie apareceram pra jogar ovos nos alunos da USP. Essa foi mais uma das diversas provocações entre os grupos, mas esta terminou diferente. Esta resultou no conflito entre 3000 estudantes do Mackenzie contra 2500 alunos da USP, numa briga generalizada na rua Maria Antônia; uma vitrine de violência com: paus, pedras, coquetéis molotov, armas, carros virados, incêndios, armas de fogo e a presença da polÃcia.
O resultado não poderia ser outro: deu merda! O estudante da USP, José Guimarães de 20 anos, foi morto por um tiro na cabeça. Até hoje não se sabe quem atirou ou de onde partiu o tiro. Segundo o laudo da autópsia a bala teria sido de calibre maior do que 38, ou de fuzil. Estranho é que o caso José Guimarães era chamado de “segundo Edson LuÃs”, estudante morto pela polÃcia em junho, no restaurante universitário chamado Calabouço, no Rio de Janeiro.
Depois do confronto o diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, EurÃpedes Simões de Paula, transferiu as aulas da rua Maria Antônia para a Cidade Universitária, onde está instalada até hoje. |
Meu pai estudava Economia no Mackenzie nessa data. Ele não era a favor da ditadura (muito pelo contrário) e não participou exatamnte da batalha, pois estudava à noite, mas ele conta que ambas as fachadas dos prédios da Filô e do Mackenzie ficaram destruídas e esse conflito fez com que os estudantes dessas Universidades sejam "rivais" até hoje.
Patrícia,
é muito bom ter informações de pessoas que participaram ou viram de perto os acontecimentos que relatamos aqui, tanto no Hoje na História como nas outras colunas ou no próprio podcast. Parece que isso dá mais veracidade ao fato e nos aproxima mais dele!
Obrigado pela participação!
Abraços!
Um dia eu peço pra ele te contar como foi!!!!
Oi… PATI.
Publiquei minha versão dos fatos aqui no Histórica sob o tÃtulo: “A Incrivel Batalha da Maria Antonia”, cheque com a versão de seu pai, gostaria de conhecê-lo (seu Pai).
GU.
Olá… Japoneys e Pati.
Realmente não foi nada disso que motivou aquela batalha.
Participei destes acontecimentos, era aluno do Cursinho Anglo e era levado à as reuniões da UNE pelo Prof. Antonio Benetazzo, morto pela repressão militar em 1.974.
Pati, seu pai tem razão, haviam muitos makenzistas contra a ditadura.
Pena que esse espaço seja muito pequeno para postar a história verdadeira.
Abraços.
GU.
gubortolozzo@gmail.com
Olá Bertolozzo, obrigado pelo seu comentário. Quanto ao espaço para se contar a verdadeira história, saiba que temos outras colunas, desta maneira, fique a vontade para criar algum artigo e com isso ajudar o Histórica a desmistificar o que nos é ensinado.
Contamos com sua colaboração!
Abraços,
Rodrigo Japoneys!