A loucura é tão antiga quanto a criação do homem. No perÃodo medieval era vista como problema espiritual, possessão por demônios, os quais precisavam de rituais de purificação para purificar a alma atormentada. Diante disso o sujeito louco e insano era tratado como um leproso: isolado da sociedade, escorraçado, flagelado e acorrentado, pois uma pessoa possuÃda pelo demônio não deveria andar livre pelas ruas. Ao fim da idade média esses indivÃduos eram perseguidos, julgados e queimados vivos conforme o protocolo da Santa Inquisição. Já parou pra pensar que falar com deus é normal, mas se ele falar com você, certamente você será considerado louco?
A imagem do louco muda na Grécia, durante a era Clássica. Aqui o insano é visto como especial, sendo ele possuidor de uma relação com os deuses do Olimpo.
Na era moderna a medicina coloca o transtorno mental como uma doença dos nervos, sendo uma patologia de origem biológica do sistema nervoso. Ao longo da história da loucura, diversas formas de tratamento foram usadas, de sanguessugas a hipnose ou choque eletro-convulsivo. O tratamento desumano em instituições de saúde mental, onde são inexistem cuidados higiene, bem estar coletivo ou estrutura dos prédios, com destaque para indicação desproporcional de medicados hipnótico-sedativos ou anti-psicóticos.
A mudança dessa realidade, dessas instituições, foi a proposta que surgiu em 18 de maio de 1987, com o Movimento de Luta Antimanicomial, realizado na cidade de Bauru, interior de São Paulo, com o encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental. O movimento propunha novas alternativas terapêuticas ao indivÃduo com transtornos mentais. O inÃcio desde movimento foi amplamente divulgado na imprensa e teve um papel fundamental ao trazer à tona muitas histórias e imagens da barbárie que acontecia nos antigos hospÃcios. Com efeito, este movimento está historicamente ligado à defesa dos direitos humanos, como também incentiva a militância polÃtica e social contra a violência institucional praticada nos espaços manicomiais.
“A proposta não é apenas tirar o indivÃduo do manicômio, soltá-lo nas ruas ou devolvê-lo para sua casa. É necessária uma ampla estrutura de suporte para permitir a integração progressiva do individuo a sociedade e à famÃlia, bem como um tratamento psiquiátrico desprovido de doses abusivas de medicamentos. Segundo Marilene Proença, presidente do atual Conselho Regional de Psicologia – SP, o grande desafio da Psicologia é tornar efetivo um tratamento da doença mental embasado numa intervenção humanitária, capaz de resgatar a cidadania e a inserção social de uma população historicamente excluÃda. Um tratamento que não se limite a prescrição indiscriminada de psicotrópicos, mas que tenha como objetivo o bem-estar fÃsico e psicológico do indivÃduo.” Diz Alexandre da Silva de Paula, Professor da Unifev.
A partir de então no dia 18 de maio é comemorado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.





