Hoje na História

17 de abril de 2011

17/04/1996 – Massacre de Eldorado dos Carajás

Mais uma vez a notícia serve pra relembrar algo de ruim que marcou a História do Brasil. País que é composto por diferenças e minorias, onde a cultura se modifica a cada região visitada, mas que apresenta em seu íntimo fatores comuns, independente destes limites regionais. A luta pelo trabalho e a pobreza, a má distribuição de renda, o crime e a violência, são alguns dos fatores que não respeitam limites, sejam eles regionais ou estaduais. E parecem possuir raízes tão profundas como a corrupção ou o futebol, dessa maneira o Brasil aparenta ter mais características negativas do que positivas, salvo suas belezas naturais.

Para tentar garantir um futuro melhor e fazer seus direitos valerem, no dia 17 de abril de 1996, um grupo de manifestantes do Movimento dos Sem-Terras fizeram uma manifestação na cidade de Eldorado dos Carajás, no Estado do Pará. Os manifestantes, para conseguirem maior visibilidade em seus atos, acabaram por fechar o tráfego numa das estradas estaduais que ligam a capital ao sul do Estado. O bloqueio aconteceu devido ao cansaço dos manifestantes, que no dia 8 de abril saíram da Fazenda Macaxeira em marcha até a cidade de Belém, devido a insatisfação da demora do Poder Público em assentar as famílias dos 1500 sem-terras que participavam do movimento. Ao retornarem, próximo a cidade de Eldorado dos Carajás, os manifestantes pararam para pedir comida e ajuda pra retornar, para continuar a marcha. Foi então que resolveram bloquear a estrada.

Bloquear a estrada não agradou ao governador Almir Gabriel, do PSDB, o qual ordenou que a polícia fosse até o local para desobstruir a estrada. E foi aí que a coisa ficou feia. Ao chegarem, no dia 17, as tropas foram recebidas por paus e pedras (alguns dizem que até tiros foram disparados). Os policiais então revidaram com gás lacrimogênio, mas não conseguiram conter os manifestantes, que foram em direção as tropas. Sentindo-se acuados, os policiais então abriram fogo e atiraram nos manifestantes. Segundo a perícia feita nos falecidos, a maioria deles foi morta com características de execução, sendo encontrados ferimentos graves feitos por armas brancas, os quais são relacionados aos policiais envolvidos. No total, 19 manifestantes foram mortos e cerca de 60 ficaram feridos.

Dos 155 policiais envolvidos no confronto, 146 foram indiciados criminalmente. Em 1999 o coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo Almendra foram absolvidos pelo juri, que foi anulado. Em 2002 dos 146 envolvidos somente 2 foram condenados: Pantoja (228 anos de prisão) e Oliveira (154 anos de prisão). Com o benefício de recorrer da decisão em liberdade, foram presos somente em 2004, para em 2005 serem libertados devido ao habeas corpus emitido pelo Supremo Tribunal Federal.

Infelizmente o sistema judicial brasileiro é falho e bem resumido por Marco Aurélio Nascimento, um dos representantes do Ministério Público Estadual que atuaram no caso:  “As decisões [em primeira instância] não são cumpridas, e as pessoas ficam recorrendo. No Brasil há uma infinidade de recursos. Os processos nunca se encerram”, o que mantém todos os envolvidos no massacre em liberdade.

 

 



Sobre o autor deste post

Rodrigo Ken





 
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  1. cesar

    A questão da reforma agraria sempre é usada por politicos como trampolim das campanhas eleitorais. Muitos elegeram-se a custa da exploração e humiliação que estes trabalhadores passam nas barracas de lonas, sem água, comida, trabalhadores estes que com ações de sindicatos patrocinados por politicos, são usados como marionetes, onde muitos desses lideres são verdadeiros bandidos. Em Carajas muitos não sabem a verdadeira e real historia do que aconteceu. Sou Pelopes do Exercito que estava la, vi irmãos de farda serem baleados, irmãos de farda que tiveram que passar por corte marcial, onde foram rejeitados e viraram as costas para soldados que na formatura de dispensa usavam as fardas com sangue dos irmãos que morreram la, farda esta surada, que por honra teve estas farda por ordem do nosso comandante queimadas em sinal de respeito a soldados dignos que somos. Comandantes este que no discurso no quartel,falou que comandantes generais, coroneis, nao tiveram peito para lutar por aqueles soldados, oficiais apadriados e filhos de graduados nem siquer tiveram suas fichas de corporaçao riscas com lapis o ocorrido, muitos dos quais ficaram paralisados com a operação. Muitos não sabem que todo material que fora fotografado foi confiscado, que cada soldado teve que ficar pelado para ser revistado. Apreendemos muitas armas de fogo, o QG em Brasilia tem todo este material, mas descediram cruxificar a ponta fraca do sistema.



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