Hoje em dia falta tempo para tudo. 24 horas num dia é pouco pra tantos compromissos: trabalho, filhos, cachorros, prazos, contas a pagar, revisão do carro. Isso sem contar lavar, passar, limpar a casa e cozinhar. Certamente, quem tem pouco tempo e condições financeiras acaba contratando uma empregada doméstica para cuidar da casa e de seus afazeres. Não é uma, mas são duas mãos na roda pra quem passa o dia inteiro fora de casa. Mas imagine então a disposição que uma empregada doméstica precisa ter para cuidar dos afazeres domésticos como trabalho e, depois do expediente, ter de cuidar de sua própria casa!
Reza a lenda que a união faz a força. Desta maneira um grupo de trabalhadores se unia para reivindicar direitos, negociar dissÃdios, etc, depois todas estas conquistas passavam a fazer parte de um conjunto de regras daquela região trabalhista. Quanto mais unida a classse trabalhista, mais direitos conquistava, daà a origem do ditado popular. Só que com os empregados domésticos não era assim, pois trabalhavam de maneira isolada, em locais diferentes, então se encontrar era difÃcil e fazer uma mobilização só projudicaria a si mesmo. Dessa maneira os empregados domésticos ficaram em segundo plano, desamparados de direitos por muito tempo. Isso só mudou quando surgiram leis especÃficas para esse tipo de trabalho, passando de trabalho informal para trabalho assalariado, com direitos e benefÃcios semelhantes aos das outras classes de trabalhadores. Atualmente existem diversas leis, regulamentações e jurisprudências sobre o trabalho doméstico, equilibrando as relações entre patrões e empregados. E, mais importante do que isso, é que as partes envolvidas tenham a consciência de seus direitos, deveres e obrigações.
Por falar em obrigações, quem era completamente devota ao trabalho doméstico foi Santa Zita, nascida na cidade de Lucca, Itália, em 1218. A famÃlia de Zita era pobre e ela precisou a trabalhar desde cedo para poder sobreviver e ajudar aos pobres, coisa que fazia e defendia acima de tudo. Quando criança, bastava lhe dizerem que algo era do gosto de Deus para que ela continuasse a fazer ou que não era do gosto de Deus, que ela parava na hora.
Zita começou cedo a trabalhar na casa da famÃlia Fratinelli, comerciantes de lã. Zita fazia os trabalhos domésticos na casa do patrão que era rude e grosseiro, o qual tratava todos os empregados com desrespeito. Zita porém nada dizia, focava em seu trabalho e o realizava muito bem, o que lhe rendia maus olhares dos outros empregados, que a chamavam de beata e beija-chão, como formas de zombar dela. Zita dormia em uma esteira no chão, pois havia doado sua cama para uma famÃlia que necessitava dela, igualmente deu o manto de lã - cedido pela patroa – para um desabrigado em frente a igreja, também levava os restos de suas refeições para os desabrigados. Em tempos de escassez de alimentos, Zita ainda levava grãos estocados para a famÃlia para os pobres. Quando tinha folga, lá ia ela ajudar aos pobres.
Com essa forma de dedicar-se ao próximo, logo começaram a dizer que Zita era uma santa e que Deus gostava mesmo dela. Contam a história de que um dia empregados viram dois anjos lavando as roupas e outro fazendo pão enquanto Zita atendia a um pobre doente na entrada da casa. Outra vez dizem que Zita saÃa para levar os restos de sua refeição aos famintos, quando foi surpreendida pelo patrão, ao mostrar seu avental, os restos de comida teriam se transformado em flores.
Durante os 48 anos em que trabalhou como empregada doméstica, Zita trabalhou em favor dos pobres, sofredores e acreditava que os criminosos não deveriam ficar presos sem nada fazer, deveriam ajudar aos pobres e doentes. Faleceu em 27 de abril de 1278, anos depois em 1748, seu nome entrou para o calendário romano. Hoje a data de sua morte é tida como o Dia da Empregada Doméstica.

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